OLOKUM




Escrito por Alapalá às 15h40
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DOIS AUTORES SUL-AFRICANOS

 

SILENCE

 

the don’t say it

they don’t say that once there were people, a

village of huts, strong men and log-fire,

they don’t say that people used to build there

with reed, thatched roofs and stone

they don’t say it now there was a river

that the children used to go to

they don’t say that people used to give sacrifice

there

 

(Poema de Mxolisi Nyezwa)



Escrito por Alapalá às 15h38
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SILÊNCIO

 

eles não contam

eles não contam que um dia houve pessoas, uma

vila de cabanas, homens fortes e fogueiras,

eles não contam que as pessoas costumam construir ali

com caniços, folhas de palmeira e pedra

eles não contam agora que havia um rio

que as crianças costumavam visitar

eles não contam que pessoas costumavam oferecer

                                                            [sacrifícios

ali

 

 

(Tradução: Ana Rüsche)



Escrito por Alapalá às 15h37
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JUNKIE GIRL

 

I looked into the junkie girl’s eyes –

compressed, collapsed atoms.

She was in my room.

Junkie girl will do anything

for junk.

 

I brought her in the early morning,

it was Sunday,

to commune.

No one saw us on the stairs

(I hope).

 

She sat on my bed,

ran my finger over her junkie lips.

Junkie girl was far,

far,

from the Milky Way.

I asked, ‘Are you alright?’

And wondered why I asked.

Junkie girl got up,

took off her clothes,

shivered.

 

(CONTINUA ABAIXO)



Escrito por Alapalá às 15h37
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She was thin but not too thin

(not yet)

I licked her brown nipples.

She slowly touched my hair,

my face.

 

She pulled me down

(oh, baby).

Then curled on my bed,

she lost track, licking

the length of my silver needle.

 

 (Poema de Allan Kolski Horwitz)



Escrito por Alapalá às 15h36
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GAROTA DE PLÁSTICO

 

Eu olhei nos olhos da garota de plástico –

compacta, átomos em colapso.

Ela estava em meu quarto.

A garota de plástico não irá fazer nada

a não ser plástico.

 

Eu a trouxe de manhã bem cedo,

era domingo,

para conversarmos.

Ninguém nos viu nas escadas

(espero).

 

Ela sentou-se na minha cama,

percorreu meu dedo sobre seus lábios de plástico.

A garota de plástico estava longe,

longe,

da via-láctea.

 

Eu perguntei, ‘Você está bem?’

E admirei-me porque perguntava.

A garota de plástico se levantou,

arrancou as suas roupas,

tremelicou.

 

Ela era magra mas não tão magra

(ainda não)

Lambi seus mamilos morenos.

Devagar tocou meus cabelos,

meu rosto.

 

Ela me destruiu

(oh, baby)

E enroscada na minha cama,

ela despistou-se em trilhas, lambendo

a extensão de minha agulha de prata.

 

 

(Tradução: Ana Rüsche)



Escrito por Alapalá às 15h35
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TAMBORES DO ORUM

 

Caros, o novo endereço da Pele de Lontra é http://cantarapeledelontra.zip.net.  

Todos os orixás deram sua bênção

a esta página de insubordinação poética! 



Escrito por Alapalá às 15h43
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Escrito por Alapalá às 22h58
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Mas quando falo cuido da palavra

que habita o coração e se desloca

do repouso à sombra.

A figueira só dá flor

no seu tempo de florir

e em terra de termiteira

não germina o grão de orquídea.

Viaja a sombra, o coração varia.

 

(Da tradição oral Nyaneka)

 

 

Cai chuva

e traz-nos a bênção

do canto das rãs.

 

(Da tradição oral Kwanyama)

 

 

Traduções: Ruy Duarte de Carvalho



Escrito por Alapalá às 22h57
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Sebastião Alba

Subúrbio

Ao Rui Nogar e ao Zé Neto

 

Onde há casas menores com portas abertas

por sobre os espaços que a luz orna

entre as palmeiras

e vultos que amanhecem envoltos

em lençóis de que a noite suja escorreu

a manhã pousa

nos pulsos das mulheres que se elevam com ela

e meninos negros alteiam-se

no flanco das mães

de olhos que a esperança já estria

Os comerciantes assoam-se

de varanda para varanda

retribuem devagar a amizade

Que os meninos trazem para fora

das tarefas diárias

as luas carcomidas no sítio das fogueiras

enfiadas murmuramente em seus colares.

 

Sebastião Alba (1940 – 2001)

Poema de O Ritmo do Presságio, livro de poesias publicado em Moçambique, onde também publicou A Noite Dividida, reeditado mais tarde em Portugal (1996). Uma Pedra ao Lado da Evidência é livro póstumo de 2001.



Escrito por ana rusche às 17h51
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