
Peixeiras, Kiki Lima
Nha coraçôm ê dum rapaz de vint'óne:
êl tâ rí, êl tâ chorá, consoante êl crê.
Se dá'l pa cantá, êl ê italióne,
pa quêl sangue quêl herdá quand' m'nascê:
Se dá'l pâ chorá, êl ê caboverdeóne
Meu coração é dum rapaz de vinte anos:
ri, chora, consoante ele quer.
Se lhe dá para cantar, é italiano,
por aquele sangue que herdou quando nasci
Se lhe dá para chorar, é caboverdeano
***
E j'a m' bá e já m' bem;
já m' torná bá e torná bem;
e alí'm lí, de pê na tchôm,
sem um vintem, sem um tstôm,
tâ crê torná bá...
ma pa torná bem...
Já fui e já regressei;
já tornei a ir e tornei a regressar;
aqui estou, de pés no chão,
sem um vintém, sem um tostão,
a querer ir...
e tornar a regressar...
Sérgio Frusoni
Tradução: Simone Caputo Gomes
Poeta cabo-verdiano, filho de pais italianos, Sérgio Frusoni nasceu na cidade do Mindelo, em São Vicente em 1901. Escrevia poemas e contos em crioulo de São Vicente (Criol d' Soncente), foi radialista e pintor.